terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


Tratado sobre o peido
O peido tem sido visto como um pária pela sociedade, renegado, excluído e oprimido, conhecido pela repugnância que causa naqueles a quem ele não pertence. A única vontade é se afastar da fonte emissora tão rápido quanto o cheiro se aproximou, como se o culpado fosse o único a cometer tal crime, como se de nós mesmos somente saíssem “lavandas”. Grupos feministas têm lutado tanto por ter pelos, porque é natural e os caralhos... mas cara, e o peido? O peido merece ser ouvido, antes de qualquer coisa!
Vamos atentar para sete principais classes:
1.       Rato – pronuncie rato segurando o “r” e entenderá.
2.       Neblina – fica no ar e dificilmente sai;
3.       Ninja – rápido, silencioso e mortal;
4.       Fuim – sofrido, curto e agudo;
5.       Al Qaeda ou terrorista – barulhento igual a uma metralhadora e todo mundo morre;
6.       Astronauta - sai igual a um foguete e manda qualquer grupo pro espaço.
Algumas considerações e dicas infalíveis para sair de qualquer situação com criatividade.
Se peidar ao lado de uma mina que você curte, atente sempre para fazer isso perto de alguém, assim você pode culpá-lo com um simples gesto de cara feia e um aceno em sua direção, se não funcionar acenda um cigarro, se não fuma peça para alguém com urgência, se ainda assim não funcionar, tente culpá-la e negue até a morte.
Se você esta naquela situação de amasso, e o inevitável vier, lembre sempre de Charlie Sheen em Top Gang, invista em um beijo diferente, beije o nariz dela.
Você acha que ela é o máximo, o ápice da beleza feminina, mas na primeira noite dormindo com ela, junto com as badaladas da meia noite vem também o show pirotécnico de flatulências. Chute na coluna pra fora da cama ou não?
Se peidar na frente das amigas dela, de uma de descolado e dedica para todas elas.
Mulher rica não peida... na frente dos outros, mas corre pro banheiro, deixa a carniça acende um incenso nag champa e ainda sai falando da amiga que entrou antes dela.
Na aula de alongamento em duplas, você forçando a perna daquela sua amiga linda e estirada no chão, com aquela maravilhosa calça legging, de repente aquele odor de tom de ovo choco. Para não ser desagradável, ai vai a dica, tranque a respiração o máximo que você conseguir, mantenha o rosto sem expressão, se o odor permanecer peça para mudar de posição e vá beber água, afinal malhar já é foda e ninguém merece aguentar peido na cara.
Para o bom entendedor, o macho de respeito, sabe a sensação que é mijar peidando. Como se todos os problemas da vida estivessem indo embora.
Quando você está com raiva a melhor opção é peidar no elevador cheio, agora o desafio é você segurar a gargalhada, senão manda um “toma essa!” e torça pra não ter nenhum lutador de MMA dentro.
A única situação que ninguém aguenta o próprio peido é no chuveiro, inalação poderosa e instantânea.
O melhor indicador de satisfação depois de uma refeição é um arroto seguido de um peidinho e um breve desabotoar de calças.
Desafio mortal, ato de coragem! No meio da reunião com a gerência, você manda um Al Qaeda,pede pra todo mundo tapar o nariz e anuncia a façanha.
Regra de ouro do peido, jamais deixe escapar quando estiver com suspeitas de diarreia, não vale a pena correr o risco de uma polenta transbordando pela cueca.
Existe inúmeras situações que valeriam a pena ser mencionadas aqui, lembre-se que apesar de fétido, porco e nojento ele ainda provoca risos, e pode dar origem a um bom diálogo. Prender um peido faz mal a saude, reprime seus sentimentos e não extravasa a expressão mais profunda, volátil e peculiar do seu ser.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Companheiros pela Eternidade


Encosto a cabeça na areia, olho para o vasto céu azul, e me lembro daqueles que passaram por mim e deixaram sua assinatura. Não foi uma simples assinatura num gesso de um braço quebrado. Foi um marco, uma referência da qual daquele ponto em diante razão e emoção ganhariam uma nova direção.  Um afago, um abanar de rabos e uma boa lambida. Um latido que alerta, um mio que desperta.

Olhares se cruzam, e as cabeças se projetam, pés e patas se movem, sem hesitar, para se encontrarem num estender de mão e uma cheirada, carícias e rabinhos abanando. A afinidade se manifesta pura e imediata, sem julgamentos, apenas pelo que ambos somos. Eles nos seguem, não por sermos seus donos, e sim pela presença, por poder estar ao nosso lado, para tentar escalar nossas pernas, encostar a cabeça em nossos colos, lamber nossos rostos, tudo para nos agradecer pela companhia. E porque anseiam, quando partimos, por nosso retorno.


Animais humanos que aprendem, com seus animais amigos, a despirem as mais duras carapaças. Aprendem a ser e a estar juntos. A olhar para outra vida e, mesmo que a julguem singela    (ou talvez por isso mesmo), reconhecer seu brilho particular. Cultivar a paciência, reconhecer e dedicar atenção às suas necessidades especiais. Se comunicar sem palavras. Dar e, principalmente, receber afeto (o que nós humanos, diga-se de passagem, temos muita dificuldade em fazer). Todos esses aprendizados se manifestam de maneiras profundas na alma, e só quem passa por eles, compreende o quão importante foi à presença do animal amigo.

Imbuída de sabedoria a natureza se encarrega de manter o movimento dinâmico, pelo qual a harmonia é mantida. O movimento de germinar, florescer e perecer que caminha junto ao existir. É chegado o tempo de se despedir. E dizemos até logo a nossos companheiros, assim como dizemos para o barco que se lançou ao oceano, e que se afasta para além do horizonte e foge à vista, em direção às águas desconhecidas da eternidade. Mas não ficamos sozinhos na praia: ganhamos momentos inesquecíveis, que frente às situações mais difíceis da vida emergem para nos fortalecer e dar animo para o caminhar, até que chegue o nosso momento de tomarmos o barco e encontrá-los nas águas eternas
.
"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós." Saint-Exupéry 

Diálogos da Madrugada

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A Queda


      Olhe! Lá em baixo... Lá está onde quer chegar. Em um instante, perceba se suporta a queda, mire onde quer cair.  Salte!... Já?... Já!
       Não demore entre a sugestão e a decisão, entre a decisão e a ação. Não, Não perca-se em conjecturas, ponderações do que nem aconteceu. São um infinito de ilusão que alimenta aos receios, que, muito grandes, fazem sucumbir diante de sí o ímpeto de agir.  Não dê tempo para o medo represar a energia que traz ação, pois é a ação a única e gloriosa ferramenta de fazer a vida acontecer.
       A ação é o salto. Cujo objetivo - não engane-se, como enganam-se muitos - é o momento da queda, não a aterrissagem. A queda é sucumbir diante de uma paixão, é o momento entre começar a dizer o que está engasgado e ter a resposta, o momento entre o romper da inércia e a chegada ao desconhecido. É a libertação mais sublime, a libertação do íntimo, da alma. Onde, confortados pela certeza de que naquele momento não há nada senão o acaso, soltamo-nos, ainda que só por um instante, das amarras da preocupação em controlar o destino, e permitimos que a vida flua plena em nós. É esse o momento em que há graça em viver.
       E a aterrissagem, lá onde queríamos chegar, não importa? É claro que sim! Mas não importa como ela acontece, ou se o lugar em que caimos é, afinal, onde queríamos estar. O que importa, é que se faça dela uma oportunidade. De que? Ora... De saltar de novo!


                                                                 Autor:  Diálogo da Madrugada

domingo, 2 de setembro de 2012

A Inquietude da Mente


De olhos fechados, diante do grito ensurdecedor do silêncio, da perturbação do calor abafado da noite, o confortável refúgio da cama desaparece, o travesseiro  endurece com o peso dos pensamentos efervescentes que borbulham na mente, se volatizam e se aglutinam na escuridão do quarto, formando sombras que rugem e se movem. Sombras que rastejam e se emaranham nas entranhas num intricado nó, se reúnem num farfalhar de vozes aprisionadas na garganta que querem se libertar em gritos oprimidos. Não contentes elas se agarram ao peito, tolhem o ar e pressionam o coração, a aflição pede um copo da água. A sensação do frescor da água percolando pelo corpo da a pausa necessária para a mente se dispersar dessas formas e reestabelecer o vigor para tentar diminuir o peso dos pensamentos.

          A mente é como mil ratoeiras armadas em um pequeno quarto, prestes a colidirem ao menor sinal de uma delas ter sido acionada. A tensão acumulada às molas, clamando por liberdade, é análoga a imaginação. Crianças, descoordenadas, jogam bola em frente ao quarto de portas abertas, essa é uma circunstância. A bola rola em direção ao quarto, e com a intensidade certa para liberar a trava, toca uma única armadilha, que estrala num pulo e desencadeia um processo, violento, de liberação das outras travas, que num estardalhaço povoam o quarto com ratoeiras saltitantes. Assim as circunstâncias brincam com razão, memória e sensação, igual as crianças, imprevisíveis, manipulam seus brinquedos, desvencilhadas das responsabilidades e rotinas.
Respostas para as perguntas, e perguntas para as respostas, ideias e antilogias, teses e antíteses. Tal como as ratoeiras, elas encontraram ambiente propício para se manifestarem, a madrugada. Livre dos barulhos e frenesis do dia movimentado, ela se constitui no momento de quietude externa para o mergulho em nós mesmo, num diálogo sincero com o íntimo, onde a imaginação encontra espaço para ser liberada num tsunami criativo, tanto de ideias construtivas quanto autodestrutivas. A circunstância, aqui, é a mente inquieta na busca, incondicional, pela verdade da existência, que deixa-nos expostos, de portas escancaradas para os encontros e desencontros que irão ativar o mecanismo todo. Encontros e desencontros que representão eventos marcantes: como a entrada e saída de pessoas em nossas vidas, trabalhos que deixamos de fazer e os que virão, a inércia destrutiva perante a existência, o movimento incerto e misterioso da vida. Uma vez desencadeado o processo de efervescência de pensamentos, de liberação das travas das ratoeiras, tentar conte-lo seria imprudente, basta apenas cultivar a paciência que irá fornecer as pistas para o restabelecimento das faculdades da mente, que nunca mais voltará ao estado anterior, mas seguirá para um novo começo.


Autor: Diálogo da Madrugada