Encosto a
cabeça na areia, olho para o vasto céu azul, e me lembro daqueles que passaram
por mim e deixaram sua assinatura. Não foi uma simples assinatura num gesso de
um braço quebrado. Foi um marco, uma referência da qual
daquele ponto em diante razão e emoção ganhariam uma nova direção. Um afago, um abanar de rabos e uma boa
lambida. Um latido que alerta, um mio que desperta.
Olhares se
cruzam, e as cabeças se projetam, pés e patas se movem, sem hesitar, para se
encontrarem num estender de mão e uma cheirada, carícias e rabinhos abanando. A
afinidade se manifesta pura e imediata, sem julgamentos, apenas pelo que ambos somos.
Eles nos seguem, não por sermos seus donos, e sim pela presença, por poder
estar ao nosso lado, para tentar escalar nossas pernas, encostar a cabeça em nossos
colos, lamber nossos rostos, tudo para nos agradecer pela companhia. E porque
anseiam, quando partimos, por nosso retorno.

Animais
humanos que aprendem, com seus animais amigos, a despirem as mais duras
carapaças. Aprendem a ser e a estar juntos. A olhar para outra vida e, mesmo
que a julguem singela (ou
talvez por isso mesmo), reconhecer
seu brilho particular. Cultivar a paciência, reconhecer e dedicar atenção às
suas necessidades especiais. Se comunicar sem palavras. Dar e, principalmente,
receber afeto (o que nós humanos, diga-se de passagem, temos muita dificuldade
em fazer). Todos esses aprendizados se manifestam de maneiras profundas na
alma, e só quem passa por eles, compreende o quão importante foi à presença do
animal amigo.
Imbuída de
sabedoria a natureza se encarrega de manter o movimento dinâmico, pelo qual a
harmonia é mantida. O movimento de germinar, florescer e perecer que caminha
junto ao existir. É chegado o tempo de se despedir. E dizemos até logo a nossos
companheiros, assim como dizemos para o barco que se lançou ao oceano, e que se
afasta para além do horizonte e foge à vista, em direção às águas desconhecidas
da eternidade. Mas não ficamos sozinhos na praia: ganhamos momentos
inesquecíveis, que frente às situações mais difíceis da vida emergem para nos
fortalecer e dar animo para o caminhar,
até que chegue o nosso momento de tomarmos o barco e encontrá-los nas águas eternas
"Aqueles
que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós." Saint-Exupéry
Diálogos da Madrugada
Em lágrimas eu só consigo te agradecer pela delicadeza e verdade das palavras.
ResponderExcluirObrigada amigo querido...te prezo tanto quanto prezo os animais...e pode considerar isso um imenso prezo.